30 de outubro de 2015

Fisioterapia em Mulheres com Câncer de Mama

Saudações colegas, com muito prazer convidamos a Fisioterapeuta Thais Lucia Pinheiro para falar sobre a Fisioterapia em mulheres com Câncer de Mama e de sua experiência com esse perfil de pacientes.

Por Thais Pinheiro.
 
As neoplasias mamárias são o tipo de câncer que mais acomete as mulheres, depois do câncer de pele não melanoma. Segundo o INCA há uma expectativa de surgimento de cerca de 57.120 novas mulheres diagnosticadas anualmente no Brasil por esta doença, e este número só vem crescendo...
A fisioterapia precoce tem como objetivo prevenir complicações que poderão ocorrer caso não se tenha o adequado conhecimento dos fatores prognósticos. Do ponto de vista clínico, os mais importantes são o tamanho do tumor e o comprometimento axilar. O conhecimento dos fatores prognósticos é fundamental na determinação dos programas fisioterapêuticos.

A prevenção de complicações deve estar presente em todas as fases do câncer de mama: no diagnóstico; no tratamento (quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia e cirurgia); na recorrência da doença e nos cuidados paliativos. É fundamental iniciar um programa fisioterapêutico precocemente, quando as pacientes ainda não apresentam complicações, como limitações de movimentos, dor, linfedema, aderência cicatricial e fibrose dos coletores linfáticos. No entanto, muitas são encaminhadas tardiamente, o que diminui a probabilidade de recuperação. Nesses casos a fisioterapia também auxilia na prevenção e/ou diminuição de quadros de fadiga muscular e náuseas.
Quando as pacientes tem contato com o fisioterapeuta já no pré operatório, tem oportunidade de falar sobre suas ansiedades, tirar dúvidas sobre curativos, pontos e movimentação do braço. Ainda nesse período, a notícia sobre a doença e intervenção cirúrgica, leva à paciente inconscientemente adotar posturas de tensão muscular na região do pescoço e ombros. Por isso nessa fase já é importante que o fisioterapeuta avalie a presença de alterações posturais e tensionais, avalie a função do ombro e a força muscular dos braços e oriente a paciente como será o acompanhamento no pós-operatório e identificar possíveis complicações.

A fase do pós operatório imediato tem como objetivo identificar alterações neurológicas ocorridas durante o ato operatório (n. intercostobraquieal e n. torácico longo), presença de dor, edema linfático precoce e alterações na dinâmica respiratória. Já ao decorrer do tratamento, o propósito é a recuperação funcional e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida para a paciente.
O fisioterapeuta irá orientá-la a posicionar o braço na cama com o auxílio de travesseiros e orientar exercícios leves para o braço, assim como realizar exercícios respiratórios e deambuação. Nessa fase os exercícios respiratórios são muito importantes, eles ajudarão a recuperar a função pulmonar e prevenir complicações respiratórias. O uso do sutiã compressivo é muito importante, ele ajuda a pele a colar e evita o inchaço na mama e tórax. Nessa fase ainda o fisioterapeuta ensinará a fazer a automassagem, que nada mais é do que uma drenagem linfática realizada pela própria paciente afim de ajudar a prevenir a presença de inchaço no membro superior homolateral a cirurgia.

Se não houver complicações pós-operatórias, em alguns dias a paciente estará de alta hospitalar, indo para casa com os pontos e com os drenos, é importante alertar a paciente que não esqueça que os cuidados e a automassagem devem continuar sendo feitos em domicilio. Nas primeiras semanas, provavelmente a paciente ainda estará com o dreno aspirativo e com os pontos, portanto as orientações são de não levantar o braço acima de 90º para que a ferida operatória não abra, pois somente na avaliação, a amplitude de movimento é livre. Em alguns casos o médico e o fisioterapeuta podem liberar a movimentação livre do braço de acordo com o limite de dor.

Os recursos analgésicos (TENS, crioterapia, mobilização passiva, técnicas de relaxamento muscular, acupuntura) complementam o tratamento fisioterapêutico que pode ser medida pelo grau de independência alcançado pela paciente, proporcionando alívio da dor, diminuindo os riscos de infecção, aumentando a mobilidade de membros superiores e reduzindo a necessidade de medicamento como analgésicos.

Durante o período de internação o enfoque é global, prevenindo, minimizando e tratando complicações respiratórias, motoras e circulatórias. A dor é uma das principais e mais frequentes queixas da paciente, devendo ser valorizada, controlada e tratada em todas as etapas da doença, as diversas técnicas para analgesia caracterizam a fisioterapia em oncologia.

Thais Lucia Pinheiro - Fisioterapeuta

Especialista em Saúde da Mulher - ABRAFISM/COFITTO
Especialização em Fisioterapia em Ginecologia - Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP
Especialização em Ergonomia - Universidade Gama Filho
Mestranda em Ginecologia pela disciplina de Mastologia - Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP
Preceptora da Especialização de Fisioterapia em Ginecologia e da Residência Multiprofissional em Saúde da Mulher da Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP
Coordenadora da Academia VO2 Personal
Conselheira do Caderno de Uroginecologia da Revista Fisioterapia Brasil
Contato: thaispin@hotmail.com


Referencias Bibliográficas
·         ABREU, Evaldo; KOIFMAN, Sérgio. Fatores prognósticos do câncer da mama feminina. Revista Brasileira de Cancerologia, Rio de Janeiro, v.48, n.1, p.113-31. 2002.
·         BATISTON, Adriane Pires; SANTIAGO, Silvia Maria. Fisioterapia e complicações físico-funcionais após tratamento cirúrgico do câncer de mama. Fisioterapia e Pesquisa, São Paulo, v.12, n.3, p.30-35. 2005.
·         BERGMANN, Anke et al. Fisioterapia em mastologia oncológica: rotinas do Hospital do Câncer III/INCA. Revista Brasileira de Cancerologia, Rio de Janeiro, v.52, n.1, p.97-109. 2006.
·         BERGMANN, Anke. Fisioterapia no câncer de mama: assistência, ensino e pesquisa. Trabalho apresentado na Semana de Fisioterapia da Universidade Estácio de Sá, maio de 2008. Petrópolis. 2008.
·         BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional do Câncer. Controle do câncer de mama: documento de consenso. Rio de Janeiro: Inca. 2014.
·         GUNDERSON; et al. Palliative Care For Bone , Spinal Cord, Brain and Liver Metastases. Clinical Radiation Oncology. 2ed. 2007. p.437.
·         INSTITUTO ONCOGUIA; Disponível em: <http://www.oncoguia.org.br/conteudo/fisioterapia-no-pos-operatorio-do-cancer-de-mama> Acesso em: 23 de out. 2015.

·         FARIA, Lina; As práticas do cuidar na oncologia: a experiência da fisioterapia em pacientes com câncer de mama. v.17, supl.1, jul. 2010, p.69-87.

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