Texto retirado do Blog Paciente Grave do colega Rodrigo Palácio de Azevedo, que é Médico Intensivista formado pela UNIFESP e titulado pela AMIB e Coordenador do serviço de Medicina Hiperbárica do Hospital São Domingos - São Luís.
Pacientes em ventilação mecânica (VM) por longos períodos (>21 dias) e com desmame difícil da VM correspondem há aproximadamente 13% de todos os pacientes submetidos a suporte ventilatório invasivo e cerca de 37% dos custos de internação nas UTIs. Apesar de encontrarmos muitos artigos publicados sobre desmame da VM, nestes pacientes o melhor método de desmame da VM ainda não está claramente identificado. Um estudo de Jubran e colaboradores (entre eles Martin Tobin) publicado no JAMA em fev de 2013 trás a tona esta questão...
O objetivo deste estudo foi comparar o tempo para o desmame com pressão de suporte x macronebulização (respirar sem ajuda através de um colar de traqueostomia) em pacientes transferidos para um LTACH (long-term acute care hospitals) para o desmame da ventilação mecânica prolongada (>21 dias).
O desfecho primário foi a duração do desmame e o resultado secundário foi a sobrevida em 6 e 12 meses. Quando não passavam no rastreamento inicial o tempo de falha para retorno a VM foi registrado e os pacientes divididos em falha precoce (<12 horas) ou falha tardia (12 a 120 horas).
Conclusão: entre os pacientes que necessitam de ventilação mecânica prolongada, a respiração espontânea através de traqueostomia, em comparação com suporte de pressão, resultou em menor mediana no tempo de desmame. Contudo o modo de desmame não teve nenhum efeito sobre a sobrevida em 6 e 12 meses. (o estudo não tinha poder para tal, pois não foi desenhado com este objetivo final).
Este estudo passa a ser uma referência importante na elaboração de protocolos de desmame difícil da VM.
Até a próxima!
Referência:
1- Jubran A, Grant BJB, Duffner LA, Collins EG, Lanuza DM, Hoffman LA, Martin J. Tobin MJ.